apresentação: começando de novo

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APRESENTAÇÃO: COMEÇANDO DE NOVO
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, 01 de maio de 2017

 

Seja bem vindo a meu blog pessoal. Nesta página apresento este projeto, e como se relaciona com meus outros projetos digitais. Também indico sua organização visando facilitar o navegante que por aqui aporta em sua passagem pelos fluxos de energia digital que atravessam o planeta e nossos pensamentos.

dizem que uma imagem vale mil palavras, o que dizer então de três…

Antes, entretanto, quero lhes mostrar algo. Temos abaixo duas representações da Terra, separadas por mais de um milênio (uma foto feita do espaço e um mapa no formato OT dos mapas medievais), indicando visões de mundo e possibilidades sensíveis, cognitivas e técnicas muito distintas. Como visões de mundo, ambas podem ser compreendidas em sua integridade, nas contradições de seu tempo, nas buscas e esperanças de cada época e lugar, na qual se constroem as aventuras pessoais e suas escolhas vitais.

Nesse sentido, uma representação não é mais verídica ou mais exata do que a outra, mas indicam a construção do mundo em momentos distintos, e portanto com sua plena relevância e agruras. Ambas. Por que haveríamos de considerar o nosso tempo, imerso em barbárie e ignorância, senhor de todos os outros. Não nos basta conquistar toda a terra, ainda haveremos de conquistar e nominar o sentido da história de todos os tempos?

Além disso, ambas as imagens são belíssimas, esteticamente belas, tanto em sua harmonia artística, quanto nos significados que revelam, por mais contraditórios que sejam os significados em que emergem. Decorrem de uma grande aventura de descobrimento, inseridas em contextos de mudanças imensas nas formas dos humanos se entenderem e de entenderem seu universo e, nele, sua Terra.

Daí o interesse dessas imagens é imenso para o que reflito aqui, e acho apropriado começar com elas, antes de apresentar este blog. Representam uma série de sentidos sobre os quais estou refletindo em minhas indagações intelectuais do mundo em que vivemos e dos significados da vida.

Terra vista da Apolo 17, de 1972, disponível em Wikipedia

Mapa-mundi de um manuscrito do Livro de Marco Polo, cerca de 1350, disponível na Wikipedia

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Antes de mais nada sugiro que você leia o post Advertência ao Leitor (clicando aqui abrirá em outra janela do navegador, ou acesse através da categoria “sobre este blog” no menu lateral). Há ali informações importantes para você, sobre os conteúdos e as responsabilidades existenciais que acarretam. Sobre direitos autorais e uso do material deste blog, caso tenha interesse em utilizá-lo, também na seção “sobre este blog” você encontrará as orientações e as condições devidas sob licença CC.

Este não é um blog pensado para crianças e adolescentes, não por ser inconveniente, mas por tratar de assuntos da vida adulta, sendo que os mais jovens necessitam de outra linguagem e temas apropriados para sua idade, experiência e desafios. Obviamente, nem todos os assuntos são densos, mas muitos são.

As reflexões que constam aqui são o meu pensamento, minhas vivências ou decorrentes de sua intensidade, e não pretendo que sejam – de fato não devem ser – modelo para ninguém, pois cada um deverá construir seu caminho na busca de Deus e na construção da própria integridade, ou nas consequências decorrentes dessas recusas e escolhas. Seja como for, a mim parece importante que as escolhas que você faça sejam conscientes e, se lhe for possível e assim lhe agradar, ponderadas. Ou, ainda melhor, lhe trazendo ampliação de horizontes, responsabilidades, possibilidades, solidariedade e o que há de mais perfeito: uma relação viva com o Deus eterno.

Nossa breve existência é uma possibilidade de aprendizagem contínua. Este é apenas um espaço para pensar e compartilhar dúvidas, experiências, buscas e aprendizagem na brevidade rápida e fascinante da nossa passagem por este mundo maravilhoso.

Foto de remador (fot de Euler Sandeville Jr.)

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Quando a narrativa conduz a alma à tona que direito teria de contemplá-la ou de desviar dela os olhos?

QUANDO A NARRATIVA CONDUZ A ALMA À TONA QUE DIREITO TERIA DE CONTEMPLÁ-LA OU DE DESVIAR DELA OS OLHOS?

Euler Sandeville Jr.

Junho de 2017

Hoje vi algo que não esperava. Como um jogo em que não tem como os jogadores avançarem, porque não podem se desprender do que são, e as regras que nos ultrapassam foram tensionadas ao limite da possibilidade de solução. Qual a coisa certa a dizer? Como escolher um caminho quando tantas dores estão pontuadas nas buscas de esperança e sentido tão intensamente entre os caminhantes? Dores que são deles, dores que são de uma época, e por que não, também minhas, entremeadas nas alegrias e recusas que todo caminho traz e sugere, e que por um acaso que não compreendo colocou todos juntos em um momento passageiro. Já não se trata de intelecção dos impasses de uma época. Entendê-la já não ajuda, se o que se descortina já não é a época, mas o íntimo dos caminhantes.

Como pensar em um momento de inflexão? Um lugar em que nunca se esteve? Como se havendo caminhado longamente, extenuadamente, se chegasse ao ponto de partida, e já não é o mesmo. A bagagem pesada da qual me desvencilho deixa suas marcas ao redor, na minha memória, no meu presente, nas entranhas tatuadas do coração com os sentidos da existência, dos descaminhos avidamente percorridos, dos sonhos e devaneios, dos afetos em profusão. A experiência não serve para entender o ponto exato de onde descortino as escolhas que devo fazer. Como não agir com incompreensão, como não negar a compreensão que tenho, dilemas cuja solução devo me ver diante, sem saber. Chego a achar que seria melhor não compreender nada, porque compreender não é suficiente diante do concreto profundo de cada ser.

Meu coração palpita diante das dores de um tempo em que existo. Não há como camuflar os impasses que habitam as narrativas, as sinceras, porque não são apenas narrativas. Nesse emaranhado de contradições devo tomar decisões que afetam outras pessoas. Que responsabilidade. Entender não ajuda, porque não transforma. Porque miríades de partidas são jogadas simultaneamente, e seu resultado parece oscilar entre a anulação e o impasse. Devo questionar a natureza do que sei, e do peso que é repartir isso, que se torna mais pesado do que contemplá-lo, porque está mergulhado nas agruras profundas do presente. Queria pensar o mundo, mas eu me deparei com as almas. Que direito eu tenho de vê-las?

Não esperava vê-las para além das ideias em conflito. As almas são quentes, aturdidas em suas próprias vozes contradições e desejos, silentes para os limites que de dentro ferem, porque são afetivas, e demandam afeto e resposta que toque esses enredos vividos na intensidade de cada um, na busca de alegria e coerência, e então exalam a sinceridade de seus pensamentos. Que direito eu tenho de vê-los? O que posso fazer por elas? Uma coisa é falar das ideias, outra é ver para além dos olhos. Por que vê-las, se não as posso ajudar? Se para além das discordâncias em que se encontram não só nos espaços comuns, mas também nos íntimos, residem impasses existenciais de uma época, mas que são absolutamente concretos na miríade de caminhos que se entrelaçam em cada um sem poderem convergir.

Tudo depende do momento em que se vê. Bem sei disso. Mas vi pesos que são habitados, não compreendidos. E se me pergunto se tenho o direito de ver o que não procurava, devo perguntar-me também se tenho o direito de furtar-me ao que me dizem sabendo ou não fazê-lo. Tenho o direito de não querer ver no cristalino dos olhos a densidade dos desejos e das buscas, quando por alguma razão elas se mostram? As faces contam as coisas, e as vão inscrevendo nos tons da pele, nas suas formas, nas suas rugas, nos seus movimentos luminosos e vibrantes tanto quanto invisíveis. É como se fossem concretas, palpáveis, como se pudesse sentir a miríade de sons e vozes que exalam. Não sei ainda como traduzir isso, como abraçar isso, como colocar isso em um espaço comum num momento em que emergem e, sobretudo, como lhes transmitir algum afeto em meio ao que aflora para além do que se narra.

Quem sou eu para ver, quem sou eu para fechar os olhos? Já não me inquietam as minhas lutas? Como tocar a intimidade velada e impronunciável, carreada em vozes tão intensas, quando as minhas próprias não consegui ainda resolver na construção do caminho em que sigo com a alma toda posta na fé?

Estou vendo coisas que não tinha visto antes, e estou vendo de uma forma que não tinha visto antes. Almas tão povoadas… nos desencontros do tempo que nos é dado coexistir. No fim, precisamos de coisas simples, vivendo em uma época nada simples.