AVISO AOS NAVEGANTES: NÃO ESTAMOS SÓS
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, 25 de abril de 2016.

 

Nós não estamos sós, mesmo quando nos sentimos assim ou quando pensamos que tudo se resume ao momento que estamos vivendo, às coisas que conhecemos, à incerteza do que virá. O navegante guia-se pelas correntes, pelos ventos, pelo que conhece para situar-se na imensidão em que a vida transcorre como um sopro, mesmo que seja intenso, ou agradável, ou devastador. Mas existimos em um mundo e um universo muito maior do que jamais iremos supor e caminhamos para a eternidade, em que o tempo é como um casulo que nos abriga, destinado a se desfazer.

“Por isso lhes disse Jesus: ‘Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro.E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?’ (Mt 16. 2-3).


foto de Euler Sandeville Jr.

No entanto, o profeta Jonas, quando chamado pelo Senhor para ir à grande cidade de Nínive pregar o arrependimento, o que fez? Fugiu da presença do Senhor. Por que? Porque ele não queria que aquele povo, que era cruel, se arrependesse e fosse perdoado. Olhou para seus próprios valores e fugiu da presença do Senhor, e quanto mais fugia, mais longe ia. Mas nem no mais fundo abismo podemos nos esconder da voz de Deus, e em sua aflição pediu perdão a Deus, que o ouviu.

A história de Jonas é um sinal profético da morte e ressurreição de Jesus, como ele declarou aos judeus que lhe pediam sinais do céu. Jesus lhes respondeu anunciando-lhes sua morte e ressurreição, mas também lhes indicando sua incredulidade. Em seu coração, simplesmente, não queriam crer, não queriam voltar-se para Deus. Sua religião, suas tradições, lhes bastavam, mesmo ali, diante do autor e consumador da vida:

“Então chegaram a ele os fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele respondeu, e disse-lhes: Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se” (Mateus 16.1-4).

Mas também a rebeldia do profeta Jonas, ouvindo a voz de Deus e dela se afastando simplesmente porque não queria obedecer-lhe, é um ensino para nossas vidas. Na aflição, em sua fuga da presença de Deus, chegou a um ponto em que só via escuridão. Então clamou a Deus: “Na minha angústia clamei ao senhor, e ele me respondeu; do ventre do Seol gritei, e tu ouviste a minha voz” (Jonas 2.2). Estamos remando, e o remador experiente todo dia vai e vem, sabendo de onde parte e para onde volta, mas nem sempre na vida o sabemos. Graças a deus que Ele ouve nosso clamor quando sinceramente o buscamos e nos arrependemos. Para onde flui a vida?

Possamos entender o sentido de nossa existência diante de Deus. Podemos escolher para onde desejamos ir e a direção que tomamos, mas não podemos nos subtrair da presença de Deus. Nem podemos, por mais que nos esforcemos, produzir suas obras.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3.16-23)