O QUE SIGNIFICA DOMINAI A NATUREZA NO LIVRO DO GÊNESIS?
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, 27 de maio de 2016

 

esta mensagem está dividida em três partes:
1. ler é entender o sentido (apresenta o tema)
2. como é hoje em dia (faz considerações sobre nosso olhar para o presente e o passado)
3. o que de fato a Bíblia diz sobre isso (estuda o texto bíblico)

 

1. ler é entender o sentido

Não é raro ouvir alguém dizer que a Bíblia é contrária à natureza e à sua contemplação, que ensina ou autoriza sua destruição pelo homem. Há quem chegue a dizer que o prazer decorrente da beleza e do agradável dos sentidos diante da natureza seja pecaminoso ou nos afaste de Deus. Quem diz essas coisas está desprezando uma quantidade imensa de textos bíblicos. Já vimos em outras páginas deste sítio que, ao contrário, a observação da natureza nos aproxima de Deus.

Um texto em particular é utilizado com maior frequência para difundir esse erro, seja por ignorância, seja por necessidade de questionar a Bíblia. Agarram-se, por exemplo, no início do livro de Gênesis, onde leem que Deus colocou o homem sobre o domínio da natureza (Gênesis 1.28). No entanto, o entendimento de que esse versículo autoriza a destruição seria uma recusa lógica. Não condiz com a mensagem bíblica nem ao menos no contexto em que está. É então plausível procurar entender melhor os significados.

Verifiquemos o capítulo 1 de Gênesis, verso 28. A primeira pergunta seria se o verso fala ou não de dominar, se emprega essa palavra ou não. E a resposta é que, na tradução para as línguas ocidentais, sim, emprega:

Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto (Gênesis 1.28-31).

Mas quem se fixa nesse verso para fazer essa afirmação, para isso necessariamente o isola de seu contexto. Não se ocupa em entender o significado do trecho, e projeta uma condição cultural que é muito mais nossa do que da mensagem que está colocada ali. É possível que comentaristas ao longo da Idade Média, ou mais recentes, já houvessem entendido assim, mas não é porque comentaram que estavam com a razão. É necessário ir ao texto bíblico e não só aos comentaristas. Da mesma forma, ao se discutir esses comentaristas, é necessário situar-lhes o texto. Aqui tratarei apenas do texto bíblico (ao final desta página transcrevo o primeiro capítulo do livro do Gênesis para uma leitura mais completa.

2. como é hoje em dia

A primeira coisa a se observar é que, para as sociedades antigas, a capacidade de controlar o ambiente era sua própria condição de existência, e que isso tinha implicações muito diferentes daquelas que tem hoje em dia. Além disso, os seres humanos têm uma evidente capacidade, através da técnica e do conhecimento, de interferir em processos naturais. Nada tem a ver com a necessidade contemporânea de devastar o ambiente para acumular riquezas indiscriminadamente.

Essa atitude negativa já estava presente nos grandes impérios da Antiguidade, no entanto a escala de destruição jamais foi como é hoje, nem os significados. Tudo o que temos vem da natureza, portanto, nossa existência depende não só de nossa interação com ela, mas de sua transformação. O problema é que a escala em que o fazemos hoje isso compromete o próprio modelo que sustentamos com essa transformação indiscriminada.

A sociedade ocidental, em um processo de autocrítica, por vezes idealizou as sociedades que considerou primitivas, sobretudo pré-industriais e mais ainda, aquelas antes dos grandes Estados, em especial as tribais. Hoje sabemos que mesmo as comunidades tradicionais trouxeram grande impacto ao ambiente. Autores como Alfred W. Crosby, em um livro de 1986 (Imperialismo Ecológico: a expansão biológica da Europa 900-1900), ou Warren Dean (brasilianista falecido em 1964), em um livro de 1996 (A Ferro e Fogo. A história e a devastação da Mata Atlântica brasileira), ainda que desejando fazer uma crítica da cultura ocidental, mostram que populações neolíticas e tribais podem ter sido responsáveis pela extinção de inúmeras espécies desde a pré-história.

Ora, não é a Bíblia que sugere fazer isso, são os humanos que o fazem. A Bíblia, ao contrário, sugere respeitar a natureza, mas não a considera intocável. Pudera, não havíamos chegado à sociedade comercial e industrial do século XIX e XX, quando então surge o moderno conceito de preservação de fragmentos da natureza, para salvaguardar da generalizada destruição dos ecossistemas causada por uma produção e um modo de vida contrários a essas sensibilidades e poesias, sob o signo utilitário e imediato do progresso, do lucro e do consumo.

Não vamos esquecer que não é possível estar no ambiente sem alterá-lo, nem as formigas o fazem, nem os humanos. A questão é, portanto, como alterá-lo, e a consciência da destruição indiscriminada, bem como o conhecimento científico da natureza e sua valorização estética e simbólica, trazem para nossa sociedade a necessidade de preservação, não só da natureza, mas da nossa própria memória (a instituição do patrimônio histórico, mais do que proteger mostra a voracidade com que nossa existência é submetida ao lucro por si mesmo). Todos conhecem bem as lutas por salvaguardar remanescentes da natureza e da memória social, que representam enfim a luta por constituir qualidade de vida e protegê-la dos intensos processos de destruição para acumulação de riquezas e consumo. Não há dúvidas do paradoxo, essa acumulação de riquezas e o consumo são desejados e valorizados em nossa sociedade e criamos inclusive mecanismos exclusivamente para mover o comportamento nessa direção (a propaganda e as mídias, por exemplo). Esse fenômeno, entretanto, como que produz sua própria disfunção e comprometimento, e coloca em risco, pela escala e pelo modo como se dá, a qualidade de vida que parece perseguir. Isso sem considerar a desigualdade em que se assenta. Essa qualidade perseguida tanto material quanto simbolicamente não se distribui a todos, ou seja, uma pequena minoria tem acesso às riquezas e benesses assim produzidas, agravando exponencialmente os desequilíbrios com os quais convivemos. A destruição torna-se amplificada, natureza e humanidade são postas em risco, são tensionadas ao limite, em alguns casos, muito além deles.

3. o que de fato a Bíblia diz sobre isso

Bem, se o sentido que convivemos em nossa sociedade não é o sentido que encontramos na Bíblia, então, qual o sentido que está lá ao falar de dominar? Obviamente, deve ir além do mero reconhecer a capacidade do homem de fazê-lo, porque foi concedida ao homem a autorização com esse fim. Restaria ver se essa autorização é para produzir a destruição ou se a destruição como ocorre é causada pelo egoísmo humano, que não pode ser atribuído a Deus, mas a nós mesmos. O que faço a seguir é compartilhar o entendimento que tenho até aqui do sentido desse verso, no seu contexto no livro de Gênesis.

Creio que o sentido, dado pelo conjunto do texto e não só pela frase isolada, é suficientemente claro sem precisar recorrer aos originais. No entanto, com o risco de mover-me pelo hebraico, como não se trata de traduzir um texto, mas de entender o campo semântico de uma palavra, espero que isso possa ajudar a elucidar o conteúdo.

A palavra traduzida por dominar nesse verso do Livro do Gênesis é radah (רָדָה), que significa também reinar. O que é bem diferente, dominar e reinar, embora o sentido de exercer uma autoridade, e de ter poder para fazê-lo, esteja claramente implicado. Uma alternativa seria utilizar uma palavra mais próxima de nós, com alguma perda de sentido, só para procurar nos aproximarmos dos significados ali expostos. Por exemplo, ler como governar, em uma linguagem mais contemporânea.

Os governos contemporâneos, como os reinos antigos, também não gozam das melhores credenciais e da credibilidade necessária. Mas a ideia de governo nos é mais próxima culturalmente do que de reino. Volto a dizer, não estou propondo que se mude a tradução, mas que se entenda o sentido ao se refletir sobre ela (A Bíblia na Linguagem de Hoje, por exemplo, traduz como “tenham poder”, o que indica a capacidade de atuar e, apenas no limite, de impor). Governar não é destruir, é gerenciar, ou deveria ser, para quem quer que tenha um mínimo de bom senso.

Mesmo que você queira ler como reinar, não há problema. Precisa apenas verificar se o seu conceito de reinar e o conceito bíblico são os mesmos. A palavra sujeitai-a no hebraico é kabash (כָּבַשׁ) e significa de fato subjugar, colocar em cativeiro, ter a posse, sendo que esta última parece ser a ideia, não no sentido de propriedade, que não se coloca ali, mas de exercer a liderança, o discernimento, o controle. A disfunção dessa capacidade, como vemos, leva à destruição e à arbitrariedade. Ou seja, como todos os atos humanos, precisa ser qualificado. Nesta reflexão vou ficar com a palavra que me parece mais decisiva na construção do sentido, que é reinar.

O conceito, sem dúvida, é comum à Antiguidade e, depois dos regimes autoritários do Absolutismo, e das democracias que lhe surgem em antagonismo, ressalta ainda mais para nós hoje seu caráter despótico. Mesmo que nos pareçam autoritários os reinos da Antiguidade, é necessário cuidar de não entendê-los como hoje significamos essas formas antigas, o que em estudos da história seria considerado como um anacronismo. Até porque muitas das chamadas democracias são governos que exercem um poder baseado na violência. Estes são, de fato, os nossos problemas.

Ao ser utilizado nas Escrituras, temos que ver como é proposto na Lei e nos Profetas o conceito de reinar. De fato, o conceito de um reino despótico, de um governo despótico, e eles haviam, é recusado e condenado ao longo de toda a Bíblia. Para não me alongar, citarei apenas algumas passagens sobre o que a Bíblia indica e exige sobre o reinar, mas são efetivamente muitíssimas mais:

“Não é dos reis, ó Lemuel, não é dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte; para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de quem anda aflito” (Provérbios 31.4-5).

“Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados. Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados” (Provérbios 31.8-9).

“O Senhor entra em juízo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus príncipes; sois vós que consumistes a vinha; o espólio do pobre está em vossas casas. Que quereis vós, que esmagais o meu povo e moeis o rosto do pobre? diz o Senhor Deus dos exércitos” (Isaías 3.14-15).

“Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades; para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! Mas que fareis vós no dia da visitação, e na desolação, que há de vir de longe? a quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa riqueza?” (Isaías 1.1-3).

“E no mesmo tempo ordenei a vossos juízes, dizendo: Ouvi as causas entre vossos irmãos, e julgai com justiça entre o homem e seu irmão, ou o estrangeiro que está com ele. Não fareis acepção de pessoas em juízo; de um mesmo modo ouvireis o pequeno e o grande; não temereis a face de ninguém, porque o juízo é de Deus; e a causa que vos for difícil demais, a trareis a mim, e eu a ouvirei” (Deuteronômio 1.16-17).

O que seria então reinar sobre a natureza? No conceito humano, e em especial na prática contemporânea, é agir de modo arbitrário. Na Bíblia, é agir com sabedoria, com respeito, com responsabilidade, com afeto e humildade.

De qualquer modo, deve-se entender a frase também no contexto literário do primeiro capítulo de Gênesis e não isoladamente. Qual contexto? Nem precisa ser o da Bíblia toda, como nos exemplos que dei acima. Bastaria ler a primeira parte do livro do Gênesis, formada pelos capítulos 1 a 3 (que contam a criação do mundo, da vida na Terra, do homem e seu afastamento de Deus). Há um outro texto neste sítio em que estudo em maior detalhe esses 3 capítulos, no que se refere à natureza.

O comando dado por Deus ao homem em Gênesis 1 está no contexto de uma criação que dava prazer a Deus, e na qual ele criou o homem (do pó da terra) com essa prerrogativa. Para que? Para cultivar e guardar. A autorização não é para destruir, é para cuidar, como um mordomo que cuida das coisas criadas por Deus. Sua posição, portanto, não foi dada para destruição, mas para zelar:

”Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e guardar” (Gênesis 2.15).

Como vemos, a finalidade não é dominar a natureza tal como entendemos hoje, inclusive na ciência. É cuidar, é zelar, era para ser agradável e prazeroso. E ainda é. Portanto, nada mais estranho e parcial do que essa ideia de oposição contra a natureza. A leitura dos textos bíblicos não os revelam contrários à beleza, à natureza, à satisfação. Vou repetir o início do Salmo 19, estudado em outro texto deste sítio:

“Para o mestre de música. Um salmo de Davi. Os céus revelam a glória de Deus, o firmamento proclama a obra de suas mãos. Um dia discursa sobre isso a outro dia, e uma noite compartilha conhecimento com outra noite. Não há termos, não há palavras, nenhuma voz que deles se ouça; entretanto, sua linguagem é transmitida por toda a terra, e sua mensagem, até aos confins do mundo” (Salmo 19.1-5)

A desobediência dessa ordem, a de cuidar, teve consequências graves até hoje:

“Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoração, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8.20-23).

No livro do Apocalipse Deus nos fala que irá punir severamente os que destroem a terra:

“Iraram-se, na verdade, as nações; então veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra” (Apocalipse 11.18).

Em Provérbios 12.10 a Bíblia nos diz que o “O justo olha pela vida dos seus animais; porém as entranhas dos ímpios são cruéis” e em Números 22.32 o Anjo repreende o falso profeta Balaão por ferir sua jumenta:

“Disse-lhe o anjo do senhor: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu te saí como adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim; a jumenta, porém, me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se tivesse desviado de mim, na verdade que eu te haveria matado, deixando a ela com vida”.

Não se falava em ambientalismo, ecologia e mesmo a natureza ainda era, basicamente, a phisis dos gregos. Portanto, não se trata de adaptar a mensagem bíblica ao presente, mas de reconhecer o seu sentido, tal como exemplificado em muitos trechos das Escrituras, nos Salmos, no Gênesis, no Apocalipse e em muitos outros livros, como vimos. O princípio é de cuidar, ainda que seja permitido ao homem o transformar suas condições. Isso é um pouco diferente do antropocentrismo como o vemos hoje, embora haja uma colocação do homem em uma posição de destaque nessa criação. Moralmente, entretanto, isso não o autoriza a destruí-la.

Também não leva a venerá-la isolando-a em santuários, tal como nos vemos obrigados hoje a fazer dada a extensão da destruição da natureza, resguardando fragmentos para que sejam protegidos. Não é o antropocentrismo da sociedade moderna, não só porque moralmente essa posição não autoriza a destruição, mas porque qualquer ação humana deve ser exercida na centralidade da presença de Deus. Esta é a ideia que está ali. Se fizemos diferente, que possamos ao menos reconhecer as responsabilidades de nossas insanidades e crueldades, e abandoná-las. O que não estamos fazendo nem de longe.

Não há como, nem porque, esconder que sinto diante da natureza uma dimensão que é claramente estética, da beleza. Ética e estética, e o prazer dos sentidos, não se dissociam nessa sensibilidade. Daí fico contente de ver, em meio a essa confusão de argumentos contra a natureza de que nossa sociedade se vale para sua destruição, que encontro na Bíblia as razões desse prazer e dessa alegria, sem qualquer margem para culpa ou negação. Onde? Em muitos locais. Por exemplo, no Salmo 19 mencionado acima e já no próprio primeiro capítulo do Gênesis. Podemos dizer que a Bíblia inicia situando a beleza e a riqueza criativa da natureza. Reproduzo a seguir o primeiro capítulo do livro de Gênesis na íntegra:

1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.
2 A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.
3 Disse Deus: Haja luz; e houve luz. 4 E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.
5 Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.
6 E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas. 7 Fez, pois, Deus o firmamento e separação entre as águas debaixo do firmamento e as águas sobre o firmamento. E assim se fez.
8 E chamou Deus ao firmamento Céus. Houve tarde e manhã, o segundo dia.
9 Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. 10 À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom. 11 E disse: Produza a terra relva, ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. 12 A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.
13 Houve tarde e manhã, o terceiro dia.
14 Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. 15 E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. 16 Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. 17 E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, 18 para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom.
19 Houve tarde e manhã, o quarto dia.
20 Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus. 21 Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. 22 E Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves.
23 Houve tarde e manhã, o quinto dia.
24 Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez.
25 E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom.
26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.
31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.

Nosso conhecimento, capaz de devassar os segredos da matéria progressivamente, infelizmente não tem transformado nossas atitudes. Tirar do contexto uma ideia é deformá-la, e não revela boa intenção. Reduz a satisfação e a alegria que nos está proposta, bem como a responsabilidade pelos nosso atos nessa bola azul navegando no tempo e no universo como nosso lar acolhedor. Deveríamos reconhecer o propósito de Deus e seguir na trilha desse amor, amor a Deus e ao próximo, e a todas as obras que Deus nos confiou.

 

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* Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida, Atualizada (JFA), que se você for comprar uma Bíblia recomendo que dê preferência a esta, ou à versão da Bíblia na Linguagem de Hoje, se você ainda está apenas começando. Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), BJ (Bíblia de Jerusalém). É necessário lembrar que são traduções de um idioma antigo, mas como verá, o sentido essencial não muda.