O QUE É A BÍBLIA PARA OS CRISTÃOS?
Euler Sandeville Jr.
Primeira versão 03 de junho de 2016. Texto atual 16 de setembro de 2017.

 

A resposta a essa pergunta é muito simples e direta: a Bíblia é a Palavra de Deus. Daí por que a chamaremos neste sítio no modo como é referida nela mesma, ou seja, as “Escrituras (Sagradas)” e “Palavra de Deus”.

Mas o que significa isso?

Significa que as Escrituras, ou seja, todos esses livros da Bíblia e apenas estes (ao menos para os cristãos), são a Palavra de Deus, sem que se distingua entre eles em importância, aprendendo a discernir o sentido do que é ensinado ali. Veja então como seu coração a acolhe, ou não; se você, em seu coração, está disposto a buscar a Deus ou não.

As Escrituras diferem de todos os outros livros que possamos ler, mesmo que sejam livros de enlevo espiritual, porque esse conjunto de livros a que chamamos Bíblia, se lidos no Senhor, com espírito humilde e temente a Deus, com espírito de gratidão e louvor, e sobretudo com fé, podem nos trazer o que nenhum outro pode: as Escrituras colocam o homem diante de Deus!

Sendo Palavra do Criador seu significado é inesgotável e edificante para nós. Lida em sua integridade, ela nos coloca diante do que é bom e agradável. Ao lermos as Escrituras na presença de Deus, em oração, podemos ir conhecendo quem é esse Maravilhoso Criador, Senhor de tudo o que existe.

A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos (Salmo 19.7-8)

Não é com o entendimento deste mundo que nos aproximamos de Deus, mas pela fé e pelo Espírito. Quando estamos buscando a Deus, no estudo das Escrituras, encontramos ricos ensinamentos para nossas vidas, nos instruindo, nos levando ao conhecimento de seus propósitos e à comunhão com Ele. Como está escrito na carta de Paulo a Timóteo:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2 Timóteo 3.16-17).

E:

Porquanto tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo provenientes das Escrituras, mantenhamos firme a nossa esperança. (Romanos 15.4, versão na Bíblia King James Atualizada)

No entanto, sem entender que apenas Deus é sagrado e santo, muitas pessoas tratam a Bíblia de um modo quase supersticioso. Não é no livro em si que está sua virtude, se envelhecer ele se desfaz, se cair no chão sua encadernação pode rasgar. Não é no livro em si que está o sagrado, mas na realidade espiritual que os textos colocam ao nosso alcance, se lermos buscando a Deus. É na revelação de Deus através dessas palavras, quando as lemos em comunhão com Ele, que as Escrituras se abrem para nós.

Também não é na leitura em si, como quem recita ou repete, mas no coração que está o que conta. Isto é fundamental, não se trata apenas de ler a Bíblia, isso pouco adianta e não justifica ou santifica a ninguém, se não é feito com fé. O mero conhecimento da Bíblia é inútil sem o amor e a obediência a Deus por intermédio de Cristo.

As Escrituras, para os que creem em Deus, têm por objetivo guiar nossa devoção ao único Deus verdadeiro, levando-nos a conhecer Sua vontade e, mais, permitindo-nos nos aproximarmos Dele e conhecê-lo, bem como sua salvação.

Devemos então nos aproximar de Deus em oração, porque Ele está próximo daquele que o busca. Ao ouvir sua Palavra, devemos nos colocar diante dele com humildade e confiança. E nos lembrar que é o modo como, em nosso coração, nos aproximamos de Deus e de sua Palavra que define o resultado que obteremos. É necessário que o Espirito de Deus, falando em nosso espírito, nos vivifique.

Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.19-21).

E:

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.
Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4.12-16).

Como vemos neste último trecho das Escrituras é através de Jesus que podemos nos achegar a Deus, e com confiança nos aproximarmos dele. Então, nada melhor do que ouvir e ler o que ele mesmo disse de sua palavra e seu ensino, quando à beira-mar, ensinava uma multidão na praia através de parábolas:

Eis que saiu o semeador a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se. Outra parte caiu entre os espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram, e não deu fruto. Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu, produzindo a trinta, a sessenta e a cem por um. E acrescentou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

(…)

Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas? O semeador semeia a palavra. São estes os da beira do caminho, onde a palavra é semeada; e, enquanto a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles. Semelhantemente, são estes os semeados em solo rochoso, os quais, ouvindo a palavra, logo a recebem com alegria. Mas eles não têm raiz em si mesmos, sendo, antes, de pouca duração; em lhes chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera. Os que foram semeados em boa terra são aqueles que ouvem a palavra e a recebem, frutificando a trinta, a sessenta e a cem por um” (Marcos 4.1-20). .

 

 


* Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada (ARA) ou Atualizada (JFA). Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), BJ (Bíblia de Jerusalém).