O DISCURSO DE ÓDIO NÃO CABE PARA CRISTÃOS (MENSAGEM APENAS PARA OS CRISTÃOS)
Euler Sandeville
10/04/2018

 

Esta é uma mensagem para os que são de fato cristãos, seja em qual inserção pensem estar. Não é para os perfeitos, porque Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento (mudança de disposição, de compreensão). Faz tempo venho pensando em escrever algo sobre isso. Talvez já o devesse ter feito, embora, a rigor, não fosse necessário. Mas partilho com aqueles que creem, muito embora possa eventualmente servir aos demais, na medida em que o discurso de ódio simplesmente não deveria caber a ninguém.

Certamente o texto não é para os que “vendo, não enxergam; e escutando, não ouvem, muito menos compreendem” (Mateus 13.13). Ou seja, aquele que ouve, lê e vê, e não percebe, não dobra o coração ao Senhor, esse seguirá entregue por si mesmo aos próprios caminhos e, portanto, lhe terá pouca valia. Por isso, apesar da chamada que faço, o que interessa é o que as Escrituras nos dizem, e são esses os textos que transcrevo aqui.

Hoje vivemos tempos de indignação. Facilmente essa indignação se expressa em palavras duras, que se ancoram na ofensa, na detratação, no preconceito, na intolerância. É quando a palavra que sai de nossa boca torna-se ódio e amargura contra os outros. “Porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más”(Mateus 12.34,35).

O que será que as Escrituras dizem sobre isso?

As palavras de Jesus não ensinam que os cristãos cultivem o ódio, a amargura, a fala inconsequente, a ofensa ao outro, a defesa da violência e das armas, nem que ajam com preconceito (João 4), que partilhem ou se associem à injustiça. Quando se está amargurado, cego pela própria dor ou pela frustração de seus desejos, muitos “nós em pingo d’água” se pode se dar na leitura da Palavra, para torcê-la para qualquer interpretação. Mas isso é inaceitável para os que são de fato cristãos e entendem o que isso significa.

Se você lê com o coração no Senhor, amando Aquele que está sobre todas as coisas, entendendo que Ele criou todas as coisas e age com misericórdia e paciência, se lê atentamente a Palavra dele, verá que os cristãos não são chamados às formas deste mundo. Isso não nos faz perfeitos. Ao contrário, aqueles que desejam segui-lo, bem sabem que são imperfeitos, mas nem desejam a imperfeição, nem a justificam, nem mentem contra a verdade (1 João 1.6-10; 2. 7-11).

Seria suficiente entender o fundamento de tudo. Veja como Jesus nos colocou o fundamento da adoração a Deus, da vida com Ele e entre nós. É bem claro:

“E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22.35-40)

Nós não somos perfeitos. Mas nossos erros não nos permitem mentir contra a verdade. Nossas dificuldades em seguir o que nos dizem as Escrituras não podem ser uma desculpa para dar-lhes outro sentido, afastando-nos do Espírito, do ensino e do exemplo de Cristo nas Escrituras. Eis um exemplo de quando nossa exaltação, nossa vontade de servir e defender o Senhor vai contra Sua vontade e contra o Seu exemplo:

“E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” (Mateus 26. 51-54)

Sabemos, por outro evangelho, que esse discípulo é Pedro, que logo mais o negaria. Vemos aqui a fragilidade humana, em um momento disposto ao ato aparentemente heroico e violento, mas fútil e contra a vontade do Senhor, em outro negando aquele que ainda há pouco pensava defender.

Por acaso Deus, que fez todas as coisas, agora precisa da força e da ira humana para se defender? Pode a ira humana produzir a justiça de Deus?

Jesus não precisa que o defendamos, mas que estejamos dispostos a aprender com Ele e seguir os seus passos e o seu exemplo, ouvir seus ensinos e colocá-los em prática. Por isso, em outro evangelho, ficamos sabendo que Jesus, além de ordenar que Pedro guardasse a espada e não ferisse, cura o servo que o prendia. Assim agirá depois diante de Pilatos, dos soldados e da imensa humilhação e dor que sofreu.

“Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco. Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?” (João 18.10-11)

“Jesus, porém, guardou silêncio. E o sumo sacerdote lhe disse: Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste; entretanto, eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu. Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia! Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte. Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!” (Mateus 26.63-68).

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“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica; dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”. (Lucas 6. 27-37)

Vejamos então o que também nos disseram, nesse mesmo Espírito, os apóstolos em suas cartas. São muitos os textos, dentre os quais selecionei estes:

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Gálatas 5.13-14)

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”. (Gálatas 5.22-23)

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“O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.

“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. (Romanos 12. 9-21)

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“Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus. Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência”. (Tiago 1. 19-24)

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“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. (Tiago 1. 26-27)

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“Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim”. (Tiago 2. 5-10)

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“Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. (Tiago 3. 13-18)

 

Estou pronto? Não, claro que não. Mas não caminharei se não abrir os ouvidos da alma e alargar meu coração ao ensino de Jesus. Isso é muito elevado! Então tenhamos a coragem de reconhecer e mudar.