II.4. O DISCURSO DE ÓDIO NÃO CABE PARA CRISTÃOS (MENSAGEM APENAS PARA OS CRISTÃOS)

Esta é uma mensagem para os que são de fato cristãos, seja em qual inserção pensem estar. Não é para os perfeitos, porque Jesus veio chamar pecadores ao arrependimento (mudança de disposição, de compreensão). Faz tempo venho pensando em escrever algo sobre isso. Talvez já o devesse ter feito, embora, a rigor, não fosse necessário. Mas partilho com aqueles que creem, muito embora possa eventualmente servir aos demais, na medida em que o discurso de ódio simplesmente não deveria caber a ninguém.

Certamente o texto não é para os que “vendo, não enxergam; e escutando, não ouvem, muito menos compreendem” (Mateus 13.13). Ou seja, aquele que ouve, lê e vê, e não percebe, não dobra o coração ao Senhor, esse seguirá entregue por si mesmo aos próprios caminhos e, portanto, lhe terá pouca valia. Por isso, apesar da chamada que faço, o que interessa é o que as Escrituras nos dizem, e são esses os textos que transcrevo aqui.

Hoje vivemos tempos de indignação. Facilmente essa indignação se expressa em palavras duras, que se ancoram na ofensa, na detratação, no preconceito, na intolerância. É quando a palavra que sai de nossa boca torna-se ódio e amargura contra os outros.

Porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más(Mateus 12.34,35).

O que será que as Escrituras dizem sobre isso?

As palavras de Jesus não ensinam que os cristãos cultivem o ódio, a amargura, a fala inconsequente, a ofensa ao outro, a defesa da violência e das armas, nem que ajam com preconceito (João 4), que partilhem ou se associem à injustiça. Quando se está amargurado, cego pela própria dor ou pela frustração de seus desejos, muitos “nós em pingo d’água” se pode se dar na leitura da Palavra, para torcê-la para qualquer interpretação. Mas isso é inaceitável para os que são de fato cristãos e entendem o que isso significa.

Se você lê com o coração no Senhor, amando Aquele que está sobre todas as coisas, entendendo que Ele criou todas as coisas e age com misericórdia e paciência, se lê atentamente a Palavra dele, verá que os cristãos não são chamados às formas deste mundo. Isso não nos faz perfeitos. Ao contrário, aqueles que desejam segui-lo, bem sabem que são imperfeitos, mas nem desejam a imperfeição, nem a justificam, nem mentem contra a verdade (1 João 1.6-10; 2. 7-11).

Seria suficiente entender o fundamento de tudo. Veja como Jesus nos colocou o fundamento da adoração a Deus, da vida com Ele e entre nós. É bem claro:

E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mateus 22.35-40)

Nós não somos perfeitos. Mas nossos erros não nos permitem mentir contra a verdade. Nossas dificuldades em seguir o que nos dizem as Escrituras não podem ser uma desculpa para dar-lhes outro sentido, afastando-nos do Espírito, do ensino e do exemplo de Cristo nas Escrituras. Eis um exemplo de quando nossa exaltação, nossa vontade de servir e defender o Senhor vai contra Sua vontade e contra o Seu exemplo:

E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, sacou da espada e, golpeando o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha. Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder? (Mateus 26. 51-54)

Sabemos, por outro evangelho, que esse discípulo é Pedro, que logo mais o negaria. Vemos aqui a fragilidade humana, em um momento disposto ao ato aparentemente heroico e violento, mas fútil e contra a vontade do Senhor, em outro negando aquele que ainda há pouco pensava defender.

Por acaso Deus, que fez todas as coisas, agora precisa da força e da ira humana para se defender? Pode a ira humana produzir a justiça de Deus?

Euler Sandeville, 10 de abril de 2018